Glossário de Mitologia Egípcia

Termos usados neste site para explicar conceitos da religião egípcia antiga, organizados por tema para facilitar a consulta.

Arquitetura e arqueologia

Hipogeu
Túmulo escavado total ou parcialmente em rocha, comum sobretudo no Novo Império, como no Vale dos Reis, onde substituiu a pirâmide como modelo preferencial de sepultamento real.
Mastaba
Tipo de túmulo retangular de base larga e topo plano, comum no Egito pré-dinástico e no Antigo Império, precursor arquitetônico direto das pirâmides em degraus e, depois, das pirâmides de faces lisas.
Necrópole
Área destinada a sepultamentos, geralmente situada nas margens ou proximidades de uma cidade — no Egito, tradicionalmente na margem oeste do Nilo, associada ao pôr do sol e ao mundo dos mortos.

Escrita e registro

Cartela
Moldura oval usada para envolver o nome de um rei em inscrições hieroglíficas, sinalizando visualmente que aquele conjunto de sinais correspondia a um nome real, e não a uma palavra comum.
Hieróglifo
Sistema de escrita pictográfica do Egito Antigo, usado em contextos monumentais, religiosos e funerários, combinando sinais fonéticos e ideográficos de forma altamente sofisticada.
Papiro
Material usado como suporte de escrita no Egito Antigo, produzido a partir da planta de mesmo nome, comum em cópias do Livro dos Mortos e em documentos administrativos e literários de toda espécie.

Instituições religiosas

Clero
Conjunto de sacerdotes responsáveis pela administração e pelos rituais de um templo ou culto, frequentemente organizados em hierarquias complexas, com funções especializadas que iam desde a purificação ritual até a leitura de textos sagrados.
Nomo
Unidade administrativa regional do Egito Antigo, cada uma com suas próprias tradições e divindades locais, muitas das quais deram origem aos cultos regionais mencionados na linha do tempo deste site.
Oráculo
Prática pela qual uma divindade era consultada, geralmente por meio de sacerdotes, para responder a questões políticas ou pessoais — como no famoso oráculo de Amon em Siwa, consultado inclusive por Alexandre Magno.
Panteão
Conjunto das divindades reconhecidas e cultuadas em uma tradição religiosa — no caso egípcio, um sistema numeroso e regionalmente variável, e não um conjunto fixo e uniforme em todo o território.
Sincretismo
Processo de fusão entre características ou culto de duas ou mais divindades distintas, como no caso de Amon-Rá ou Serápis — um dos mecanismos mais característicos da religião egípcia ao longo de sua longa história.

Objetos e prática funerária

Amuleto
Objeto pequeno, usado no corpo ou colocado junto ao falecido, com função protetora ou mágica, muitas vezes representando divindades, partes do corpo ou símbolos sagrados como o olho de Hórus (udjat) ou o escaravelho.
Estela
Placa de pedra, geralmente vertical, inscrita com texto e/ou imagens, usada em contextos funerários, religiosos ou comemorativos, e uma das principais fontes de informação histórica disponíveis à egiptologia.
Múmia / Mumificação
Processo de preservação artificial do corpo após a morte, considerado necessário para garantir a continuidade da existência no além, já que o Ká e o Ba do falecido precisavam de um corpo reconhecível para retornar.
Sarcófago
Recipiente rígido, de pedra ou madeira, usado para conter o corpo mumificado ou o caixão do falecido, frequentemente decorado com textos e imagens de proteção mágica.

Símbolos

Ankh
Símbolo hieroglífico em forma de cruz com alça superior, associado ao conceito de vida. Aparece com frequência sendo segurado por divindades em cenas religiosas, como se estivessem oferecendo ou transmitindo vida a reis e a outros deuses.

Vida após a morte

Akh
Aspecto "transfigurado" ou espiritualmente efetivo de uma pessoa falecida, alcançado após a realização bem-sucedida dos ritos funerários e do julgamento perante Osíris. Um Akh bem-sucedido era considerado capaz de interagir com o mundo dos vivos, para o bem ou para o mal, o que explica a importância de mantê-lo satisfeito por meio de oferendas contínuas.
Ba
Aspecto da pessoa associado à individualidade e à mobilidade após a morte, frequentemente representado como um pássaro com cabeça humana, capaz de deixar a tumba durante o dia e retornar a ela à noite para se reunir ao corpo.
Duat
O mundo inferior egípcio, região percorrida pelos mortos e também pelo sol durante a noite, segundo textos como o Livro do Amduat. Era imaginado como um território perigoso, habitado por criaturas hostis que o falecido precisava superar com o auxílio de fórmulas mágicas.
Ká
Força vital ou "duplo" espiritual de uma pessoa, que continuava a existir após a morte e necessitava de oferendas contínuas — alimento, bebida, incenso — para subsistir simbolicamente no além.
Pesagem do coração
Cena central do julgamento dos mortos, em que o coração do falecido é pesado na balança contra a pena de Maat, sob supervisão de Anúbis e registro de Tot, determinando se o falecido poderia seguir em segurança para o além.